
A infância, período de descobertas, brincadeiras e aprendizado, tem sido cada vez mais invadida por padrões e comportamentos típicos da vida adulta, impulsionados pela cultura digital. A chamada ‘adultização infantil’ nas redes sociais expõe crianças a conteúdos sexualizados e comportamentos inapropriados para a idade, gerando riscos à saúde mental e emocional dos pequenos.
Recentemente, o influenciador Felca denunciou em um vídeo a exploração de crianças nas redes sociais, evidenciando como algoritmos favorecem a exposição precoce e a busca por engajamento. A repercussão foi imediata, com a prisão do influenciador Hytalo Santos, acusado de explorar menores em vídeos sexualizados.
O caso gerou um movimento nacional, com a apresentação de 32 projetos de lei na Câmara dos Deputados, conhecidos como ‘Lei Felca’, visando criminalizar a exploração digital infantil e responsabilizar as plataformas. Apesar das iniciativas legislativas, especialistas destacam que a atuação da família continua sendo central na proteção das crianças
O advogado especializado em direito familiar, Edmom Moraes, ressalta: "A legislação existe para proteger a criança, mas é na rotina familiar que essa proteção se consolida. Manter diálogo aberto, estabelecer limites claros e assegurar que a criança tenha seu tempo de ser criança são atitudes que fortalecem a integridade e a dignidade infantojuvenil".
A psicóloga infantil Lígia Teixeira ainda enfatiza: "A infância não pode ser invadida por padrões adultos que ela ainda não tem maturidade para lidar. A criança precisa de brincadeira, afeto e proteção — não de curtidas ou looks que normalizam a exposição precoce".
Para enfrentar esse desafio, os pais e responsáveis devem adotar medidas como:
- Supervisão ativa e diálogo aberto: acompanhar o uso das redes sociais, conversar sobre conteúdos e sentimentos, e estabelecer combinados claros.
- Limites e proteção digital: configurar perfis privados, limitar mensagens diretas, evitar transmissões ao vivo sem acompanhamento e controlar o tempo de tela.
- Alternativas fora das telas: incentivar atividades presenciais como esportes, leitura, arte e momentos de qualidade em família.
- Educação midiática: ensinar sobre consentimento, privacidade, consumo crítico de conteúdo e os riscos da exposição online.
- Rede de apoio ampliada: envolver escola, comunidade e profissionais de saúde mental quando necessário.
A adultização infantil nas redes sociais é um fenômeno preocupante que exige a ação conjunta de famílias, sociedade e Estado. Proteger a infância é mais do que um dever — é um ato de amor e responsabilidade.

