
O tempo esfriou, mas o fogo não deu trégua. Só nos primeiros quinze dias de junho, Goiás registrou 122 focos de queimadas, e o norte do estado voltou a figurar entre as regiões mais críticas, com 37 ocorrências, segundo levantamento da Secretaria de Meio Ambiente (Semad) e do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).
Cavalcante e Planaltina são os municípios que encabeçam a lista com 11 e 12 focos, respectivamente. Ao lado de Formosa, são os que mais queimaram neste mês — um reflexo direto do tempo seco, da falta de chuva e, principalmente, da ação humana irresponsável.
“A gente não tem ignição espontânea nesse cenário. O que vemos é uso do fogo em práticas cotidianas, como queima de lixo e limpeza de lote. É ilegal e perigoso”, alerta o superintendente do Cimehgo, André Amorim, em entrevista ao Jornal Opção.
Mesmo com temperaturas mais amenas, o solo seco e a baixa umidade do ar — que já beiram os 8% — tornam o ambiente inflamável como palha seca. Em várias regiões, já são mais de 40 dias sem uma gota de chuva significativa. E quando o fogo começa, ele se espalha rápido: basta uma faísca.
Entre os dias 9 e 15 de junho, o norte do estado teve 16 focos, contra apenas 5 no mesmo período do ano passado. O aumento chama atenção, principalmente porque outras regiões do estado apresentaram queda ou estabilidade, como é o caso do sudoeste e do oeste.
Já no acumulado do mês, até o dia 15, a região leste aparece em primeiro lugar com 44 registros, mas o norte não fica muito atrás: foram 37 focos contabilizados em apenas duas semanas.
O problema é velho, mas o risco é novo
Segundo o Cimehgo, os dados de 2025 estão praticamente empatados com os de 2024 — foram 65 focos em uma semana no ano passado contra 68 neste ano. A diferença está no comportamento das regiões, já que o norte e o leste de Goiás apresentaram alta preocupante.
“Mesmo sendo um número próximo, chama atenção a insistência nessas áreas”, reforça Amorim. Ele lembra que muitos focos começam com atitudes banais, como “queimar folhas na porta de casa”.
O alerta está dado. Além do monitoramento, as autoridades reforçam que a queima de lixo e a limpeza de terrenos com fogo são crimes ambientais, e os responsáveis podem ser penalizados. Em tempo de seca, cada brasa conta e o que parece pequeno pode virar um grande incêndio.
